
Aparei com uma lata a água da chuva e despejei no saquinho de terra com a muda de pau-d'arco. Água da chuva dos cajus. O gato brigando quebrou o arco, perto da raiz. Enterrei de novo, a ver se tem jeito. É que em frente de casa vai ter uma árvore dessas. Para florir em setembro.
Pau-d'arco é aqui. N'outros cantos dizem ipê. Esse é rosa. Ou foi - não descobri se ainda vive.
Ontem não consegui ver o filme até o fim. Achei enfadonho. Estava com sono. Era outra língua, não tinha legenda.
Minha vizinha acaba de sair, short curto, salto alto. Temi que se desequilibrasse e caísse por cima da outra muda, a de araçá. Que teimo que é pitanga. Temi pelos dois, posso até jurar.
Riu de mim, o rapaz, quando chamei de planta o projeto da casa. Não liguei. Estava feliz. Faz dias, assim, feliz.
Triste é ser roubado. Quando se tem apego ao que se vai, pior. Eu fui. O ladrão deu com os burros n'água. Saíram molhados, os burros. Mergulhei e catei tudo de volta. Depois foi só enxugar.
Lembrei que Antônio me prometeu 500 pés-de-algo. E que o jasmineiro, quando crescer, vai ser de verde-viço.
Velouté vai se mudar. Ele, a mulher, o filho e mais três enteados. Seis felinos.
O senhorio disse ter uma tia assim, que vive com uma porção de gatos. Não faz mal. Posso acrescentar cachorro, passarinho (solto), um crocodilo, talvez. Pra ser original.
O que me intriga mesmo é o Pau-d'arco. Não sei se morreu ou florirá.
A morte, às vezes, só se faz notar depois. Muito depois.
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